Como furar parede de concreto sem estourar o revestimento: broca, técnica e preparo

Aprenda o mecanismo físico por trás dos estouros, a broca certa para cada material e o passo a passo para furar concreto, azulejo ou porcelanato sem danificar o acabamento.

17 min de leitura

Como furar parede de concreto sem estourar o revestimento: broca, técnica e preparo que realmente funcionam

Furar concreto sem danificar reboco, azulejo ou pintura não é questão de sorte, mas de entender o comportamento do material e usar a combinação certa de broca, modo de perfuração e preparo da superfície. A crença popular de que “fita crepe resolve tudo” esconde um mecanismo físico mais sutil — e ignorá-lo é o que faz tanta gente acabar com uma lasca feia no azulejo novo ou um buraco torto no reboco. Você vai aprender o mecanismo por trás de cada truque — como a fita crepe realmente age, por que a broca de widia é indispensável e quando furar sem impacto salva o revestimento — além de como corrigir erros comuns sem precisar rebocar tudo.

Por que o revestimento estoura? O mecanismo físico que você precisa entender

Detalhe macro de broca perfurando azulejo vitrificado com microfissuras visíveis e fita crepe segurando borda
Detalhe macro de broca perfurando azulejo vitrificado com microfissuras visíveis e fita crepe segurando borda

A maioria das pessoas acha que o estouro acontece por “pouca sorte” ou “parede mal feita”. Na verdade, é uma questão de como a broca interage com o concreto e o acabamento. Quando a broca penetra, ela não corta o material como uma faca — ela tritura, especialmente no modo impacto. Esse processo gera vibração que se propaga pela superfície. Se o revestimento (reboco, azulejo, pintura) estiver mal aderido ou for frágil, a vibração abre microfissuras na borda do furo. Essas fissuras se encontram, formam uma lasca e — pronto — o estrago está feito.

O papel da vibração e do impacto na propagação de microfissuras

O modo impacto da furadeira funciona como um martelinho que bate na broca enquanto ela gira. Isso é ótimo para quebrar o agregado do concreto, mas péssimo para o acabamento. Nos primeiros milímetros, quando a broca ainda está atravessando o revestimento, o impacto sacode a superfície inteira. Se o azulejo for vitrificado ou o reboco estiver com pouca aderência, a vibração abre trincas que só aparecem dias depois — ou na hora, levando junto um pedaço do revestimento.

João Carlos, eletricista com 22 anos de obra, explica: “A fita crepe não segura lascas por milagre. Ela funciona porque distribui a tensão na superfície e segura os fragmentos que já se soltaram. Mas se você furar com impacto desde o começo em azulejo, a fita não vai salvar — a trinca já foi feita por baixo dela.”

Como a broca interage com o agregado do concreto e com o acabamento

A broca de widia tem ponta de carboneto de tungstênio, dureza suficiente para cortar o agregado (pedriscos) do concreto. Mas se a broca estiver cega ou for do tipo errado (como aço rápido), ela vai esquentar, perder o fio e começar a “raspar” em vez de cortar. Esse atrito extra gera mais calor e vibração, que se transferem para o revestimento. O resultado é o mesmo: lasca.

Já o acabamento — seja reboco, azulejo ou pintura — tem comportamento diferente. Reboco comum é poroso e absorve parte da vibração. Azulejo vitrificado é liso e duro, mas frágil: a vibração se propaga sem amortecimento, formando trincas em leque ao redor do furo. Porcelanato é ainda pior: sua superfície vitrificada é tão dura que a broca pode escorregar, arranhando o esmalte antes mesmo de furar.

Por que a fita crepe funciona (e quando não funciona)

A fita crepe adesiva age de duas formas: primeiro, ela cria uma camada que amortece levemente a vibração superficial. Segundo, se uma microfissura se formar, a fita segura o fragmento, impedindo que ele se solte como lasca. É por isso que furar com fita crepe reduz drasticamente o estouro em reboco e azulejo comum.

Mas há limites. Em azulejos vitrificados ou porcelanatos, a fita sozinha não basta — a vibração ainda pode trincar a peça por baixo. Nesses casos, é obrigatório furar sem impacto nos primeiros milímetros e usar broca específica para cerâmica. Outro problema: se a fita estiver velha ou com pouca aderência (comum em fitas de baixa qualidade), ela pode soltar durante a furação e deixar o revestimento desprotegido.

SituaçãoFurar com impacto nos primeiros mmFurar sem impacto nos primeiros mm
Reboco comumRisco médio de lascaRisco baixo
Azulejo comumRisco alto de lascaRisco médio (com fita)
Azulejo vitrificadoRisco muito alto de trincaRisco baixo (com broca de cerâmica)
PorcelanatoRisco altíssimo de trincaRisco médio (exige broca específica)
Tempo de furo (concreto)Mais rápidoMais lento (broca pode aquecer)

A broca certa para cada tipo de parede: widia, HSS, cerâmica e as diferenças que salvam seu revestimento

Escolher a broca errada é o erro mais comum — e o mais fácil de evitar. Cada material exige um tipo específico de ponta, dureza e geometria. Usar a broca de concreto em azulejo ou a de aço rápido em parede de tijolo é garantia de estrago.

Broca de widia (carboneto de tungstênio): a única para concreto armado

A broca de widia tem uma ponta de metal duro (carboneto de tungstênio) que corta o agregado do concreto. Ela é a escolha certa para concreto armado, bloco cerâmico e tijolo maciço. A dureza da ponta permite furar sem perder o fio rapidamente, desde que a rotação não seja exagerada (entre 1000 e 1500 RPM para concreto). Em concreto muito antigo ou com pedriscos grandes, a widia pode quebrar se a rotação for muito alta ou se não houver impacto — mas isso é raro com brocas de boa qualidade.

Broca de aço rápido (HSS): para madeira e metal, não para concreto

A broca HSS tem ponta afiada de aço rápido, ideal para madeira e metal. No concreto, ela perde o fio em segundos, esquenta, começa a raspar e transfere toda a vibração para o revestimento. Resultado: lasca garantida e broca estragada. Muita gente compra kits de brocas “universais” que incluem HSS e tenta usar no concreto — não faça isso.

Broca para azulejo e vidro: ponta em lança e sem impacto

A broca para cerâmica e vidro tem ponta em lança de metal duro (ou widia com geometria específica). Ela fura por desgaste, não por impacto. A técnica é furar sem impacto, com rotação baixa (500-800 RPM) e pressão suave. Se atrás do azulejo houver concreto, você precisa trocar para broca de widia e ligar o impacto depois de atravessar a cerâmica.

Broca para bloco cerâmico e concreto celular: dicas específicas

Bloco cerâmico (tijolo furado) é mais macio que concreto, mas frágil. A broca de widia funciona, mas com cuidado: impacto moderado e pressão leve para não estourar o bloco. Já o concreto celular autoclavado (Siporex) é tão leve e poroso que a broca de widia pode rasgar em vez de furar. Use broca específica para material leve (geralmente com ponta de metal duro e geometria diferente) ou uma broca comum de widia com rotação baixa e sem impacto.

Tipo de brocaMaterial indicadoDureza da pontaRisco de dano ao revestimentoPreço médio (kit 5 peças)
Widia (carboneto)Concreto, tijolo maciço, bloco cerâmicoAltaBaixo (se usada corretamente)R$ 15-30
HSS (aço rápido)Madeira, metal, plásticoMédiaAlto (em concreto)R$ 10-20
Cerâmica/vidroAzulejo, porcelanato, vidroAlta (ponta em lança)Baixo (com técnica correta)R$ 20-40
Material leveSiporex, concreto celularMédia-altaBaixo (específica)R$ 25-50

Para identificar visualmente cada broca: a de widia tem ponta prateada ou dourada (dependendo do revestimento) e um pequeno “V” na ponta. A HSS tem ponta afiada e brilhante, sem marcação especial. A de cerâmica tem ponta em lança, fina e pontiaguda. A de material leve geralmente tem ponta mais larga e geometria diferente.

Técnica de perfuração passo a passo: como furar sem estourar o reboco ou azulejo

A técnica é tão importante quanto a broca. Seguir os passos corretos reduz o risco de lasca a quase zero, mesmo em revestimentos delicados.

Preparo da superfície: marcar, fitar e escolher o ponto

Marque o ponto com lápis — use um nível para garantir que o furo fique reto. Aplique fita crepe sobre o ponto, esticando bem para que adira completamente. A fita deve cobrir uma área de pelo menos 5 cm ao redor do furo. Escolha o ponto longe de bordas — mantenha pelo menos 5 cm de distância de quinas, cantos ou juntas de azulejo. Furos próximos a bordas têm risco muito maior de trinca.

Ajustes na furadeira: rotação, impacto e profundidade

A furadeira precisa estar configurada corretamente. Se for uma furadeira de impacto (a maioria das elétricas), você pode desligar o impacto para os primeiros milímetros. Se for uma furadeira de martelo (mais potente, comum em obras), o impacto é contínuo — nesse caso, use pressão muito leve no início. A rotação deve ficar entre 1000 e 1500 RPM para concreto, 500-800 RPM para azulejo. Mantenha o impacto desligado nos primeiros 2-3 mm (para atravessar o revestimento) e ligue depois para penetrar no concreto. Marque a broca com fita crepe na profundidade desejada (comprimento da bucha + 5 a 10 mm).

Execução do furo: pressão constante, sem forçar

Posicione a broca no ponto, alinhada perpendicularmente à parede. Comece a furar sem impacto, com pressão suave e constante. Não force — deixe a broca trabalhar. Quando sentir que a broca atravessou o revestimento (geralmente após 2-3 mm), ligue o impacto e aumente levemente a pressão. Mantenha a furadeira firme, sem balançar. Se a broca travar (comum ao encontrar vergalhão), pare imediatamente. Não force — você pode quebrar a broca ou danificar a furadeira. Mude o ponto alguns centímetros para o lado.

Limpeza do furo e inserção da bucha

Depois de furar, retire a broca com cuidado. O pó dentro do furo precisa ser removido — use um aspirador de pó com bico fino ou um soprador de ar (pode ser um canudo). Se o pó ficar, a bucha não vai expandir corretamente e o parafuso pode não prender. Insira a bucha até o fundo. Se ela não entrar completamente, não bata com martelo — você pode danificar a bucha ou o revestimento. Em vez disso, use um pedaço de madeira entre o martelo e a bucha para distribuir o impacto.

Marcos, pedreiro há 15 anos, conta: “Já vi gente bater bucha com martelo direto no azulejo e trincar a peça inteira. Sempre coloco um pedaço de madeira ou plástico por cima. E nunca esqueço de limpar o pó — sem isso, a bucha não segura nem parafuso de quadro leve.”

Tipo de buchaComprimentoProfundidade do furo
S 6mm30 mm35-40 mm
S 8mm40 mm45-50 mm
S 10mm50 mm55-60 mm
Metálica 8mm35 mm40-45 mm

Como identificar o tipo de parede antes de furar: concreto, tijolo furado, drywall ou concreto celular

Furar sem saber o que tem por trás do revestimento é como operar no escuro. Cada tipo de parede exige broca, técnica e bucha diferentes.

Teste de percussão: som oco vs. som maciço

Bata na parede com os nós dos dedos ou com a ponta de uma chave de fenda. Concreto tem som maciço, surdo. Tijolo furado tem som oco, como se batesse em uma caixa vazia. Drywall tem som oco também, mas a superfície cede levemente sob pressão. Concreto celular (Siporex) tem som surdo, mas a superfície é mais porosa e fria ao toque.

Uso de detector de metais e cabos

Antes de furar, use um detector de metais (ou um localizador de cabos) para identificar vergalhões, tubulações elétricas e hidráulicas. Furar em cima de um fio elétrico ou cano de água é perigoso e caro. A maioria dos detectores custa entre R$ 50 e R$ 150 e vale cada centavo.

Características visuais: textura, cor, idade da construção

Paredes de concreto são comuns em prédios e casas construídas após os anos 1970. Tijolo furado é típico de casas antigas e sobrados. Drywall é usado em divisórias internas, geralmente em escritórios e apartamentos novos. Concreto celular é leve e tem cor acinzentada clara, comum em construções sustentáveis.

Tipo de paredeSom ao baterBroca indicadaTécnica de furaçãoRisco de estouro
ConcretoMaciçoWidiaImpacto após 2-3 mmBaixo (com técnica correta)
Tijolo furadoOcoWidiaImpacto leve, pressão suaveMédio (pode estourar o bloco)
DrywallOco (cede)Broca para drywallSem impacto, rotação baixaBaixo (bucha específica)
Concreto celularSurdo (poroso)Broca para material leveSem impacto, rotação baixaBaixo (com broca certa)

O que fazer quando o furo já estourou: correções sem precisar rebocar tudo

Erros acontecem. Se o furo estourou, não precisa arrancar o azulejo ou rebocar a parede inteira. Existem soluções práticas para cada tipo de dano.

Furo grande demais: como usar bucha química ou massa plástica

Se o furo ficou maior que o necessário (por exemplo, broca de 10 mm para bucha de 6 mm), a bucha comum não vai prender. Use bucha química: uma resina que endurece dentro do furo, ancorando o parafuso. Aplique a resina, insira o parafuso e espere secar (cerca de 24 horas). Alternativa: massa plástica (massa de calafetar) para furos pequenos, mas ela não suporta cargas pesadas.

Lasca no reboco: reparo com massa corrida e lixa

Se a lasca for pequena (até 2 cm), aplique massa corrida acrílica com uma espátula, alise e deixe secar. Depois, lixe com lixa fina (grão 120) e pinte. Para lascas maiores, use massa para reboco (massa fina) e faça várias camadas finas, lixando entre elas. O acabamento pode não ficar idêntico ao original, mas é aceitável para áreas não muito visíveis.

Trinca no azulejo: substituição ou uso de perfil metálico

Trincas em azulejos tendem a se propagar com o tempo. A solução definitiva é substituir a peça. Mas, se a trinca for pequena e o azulejo estiver bem fixado, você pode usar um perfil metálico (como os usados em box de banheiro) para cobrir a área. Outra opção: aplique massa epóxi para azulejo, mas o resultado estético pode não ser bom.

Bucha que não prende: como aumentar a aderência

Se a bucha está frouxa no furo, você pode usar um palito de fósforo ou um pedaço de plástico para preencher o espaço. Mas isso é gambiarra. O correto é usar bucha química ou trocar por uma bucha de diâmetro maior (se o furo permitir). Para cargas leves (quadros, espelhos), a massa plástica pode resolver.

Tipo de reparoIndicaçãoCarga máximaDificuldade
Bucha químicaFuros grandes ou danificadosAlta (até 50 kg)Média
Massa plásticaFuros pequenos (até 6 mm)Baixa (até 5 kg)Fácil
Bucha de expansãoFuros em concreto com diâmetro corretoMédia (até 20 kg)Fácil

Erros comuns que estouram o revestimento (e como evitá-los)

Alguns erros são tão frequentes que merecem destaque. Evitá-los é simples, desde que você saiba o que está fazendo.

Usar broca de aço rápido (HSS) para concreto

Já falamos disso, mas vale repetir: broca HSS em concreto é receita para lasca. A broca perde o fio, esquenta e vibra. Use widia.

Aplicar força excessiva na furadeira

Força não acelera o furo — ela superaquece a broca e danifica o revestimento. A broca de widia corta com pressão moderada. Se estiver difícil, a broca pode estar cega ou o material pode ser muito duro. Pare e avalie.

Ignorar a profundidade da bucha

Furar raso demais impede a expansão da bucha. O parafuso não aperta e a fixação fica frouxa. Sempre meça a profundidade com a broca marcada.

Não limpar o pó do furo

O pó dentro do furo reduz a aderência da bucha. Use aspirador ou soprador. Não assopre com a boca — você vai inalar pó de concreto, que é prejudicial.

Usar bucha de plástico para cargas elevadas

Bucha S de plástico é para cargas leves (quadros, espelhos, prateleiras pequenas). Para suportes de TV, prateleiras pesadas ou armários, use bucha metálica ou química. A carga máxima está escrita na embalagem.

Furar com impacto desde o início sobre azulejo

Esse é o erro que mais causa trincas invisíveis. O impacto vibra o azulejo, abrindo microfissuras que só aparecem dias depois. Sempre comece sem impacto nos primeiros milímetros.

ErroConsequênciaSolução
Broca HSS em concretoLasca, broca queimadaUse widia
Força excessivaSuperaquecimento, lascaPressão moderada
Furo rasoBucha não expandeMeça a profundidade
Pó no furoBucha frouxaLimpe com aspirador
Bucha plástica para carga altaArrancamentoUse bucha metálica ou química
Impacto no azulejoTrinca invisívelComece sem impacto

Limitações e exceções: quando o método não funciona ou exige adaptação

Nenhum método é infalível. Algumas situações exigem adaptações ou simplesmente não são recomendadas para quem não tem experiência.

Azulejos vitrificados e pastilhas de vidro

Azulejos vitrificados e pastilhas de vidro são extremamente frágeis. Mesmo com broca de cerâmica e sem impacto, o risco de trinca existe. A solução é furar com rotação muito baixa (500 RPM) e usar uma broca nova e afiada. Se possível, teste em um pedaço de azulejo igual antes.

Paredes de concreto celular autoclavado (Siporex)

Siporex é leve e poroso, mas frágil. Broca de widia pode rasgar o material. Use broca específica para material leve ou uma broca comum de widia com rotação baixa e sem impacto. A bucha também precisa ser específica para material oco.

Concreto armado com vergalhão

Vergalhão pode travar a broca. Se sentir resistência metálica, pare. Mude o ponto alguns centímetros. Se for inevitável furar naquele local, use broca de metal (HSS) para atravessar o vergalhão, depois troque para widia para continuar no concreto.

Revestimentos texturizados (grafiato, massa corrida grossa)

Revestimentos texturizados lascam com mais facilidade porque a camada é espessa e mal aderida. A fita crepe pode não aderir bem — use fita de pintor de alta aderência ou fita crepe de qualidade. Fure sem impacto nos primeiros 5 mm.

Furos próximos a bordas (menos de 5 cm)

Furos perto de bordas têm risco alto de trinca. A vibração se propaga para a quina, que é um ponto fraco. Se for inevitável, use bucha química para distribuir a carga e evite impacto.

O engenheiro civil Carlos Mendes afirma: “Em bordas, a bucha química é a única solução segura. A resina preenche o furo e ancora o parafuso sem depender da expansão, que poderia trincar a borda.”

SituaçãoRiscoSolução alternativa
Azulejo vitrificadoTrincaBroca de cerâmica, sem impacto, rotação baixa
SiporexRasgoBroca para material leve, sem impacto
VergalhãoBroca quebradaMudar ponto ou usar broca de metal
Revestimento texturizadoLascaFita de alta aderência, sem impacto
Furo próximo a bordaTrincaBucha química, evitar impacto

Checklist final para furar sem estourar

  • [ ] Identifique o tipo de parede (concreto, tijolo, drywall, Siporex) antes de furar.
  • [ ] Escolha a broca certa: widia para concreto, cerâmica para azulejo, específica para material leve.
  • [ ] Use fita crepe de pintor no ponto do furo para reduzir vibração e conter lascas.
  • [ ] Ajuste a furadeira: comece sem impacto nos primeiros 2-3 mm, depois ligue o impacto se necessário.
  • [ ] Mantenha rotação moderada e pressão constante, sem forçar.
  • [ ] Fure 5 a 10 mm mais fundo que o comprimento da bucha.
  • [ ] Limpe o pó do furo com aspirador ou soprador antes de inserir a bucha.
  • [ ] Escolha a bucha adequada ao peso: bucha S para leve, bucha metálica ou química para cargas altas.
  • [ ] Evite furar a menos de 5 cm de bordas ou quinas.
  • [ ] Em azulejos vitrificados, use broca de cerâmica e fure sem impacto.

Perguntas frequentes

Por que a fita crepe ajuda a evitar lascas? A fita crepe adesiva reduz a vibração superficial e contém as microfissuras que se formam na borda do furo, evitando que se propaguem como lascas. Não é mito, mas tem limitações: em azulejos vitrificados, sozinha não basta — é necessário furar sem impacto e com broca específica.

Qual a diferença entre broca para concreto, para azulejo e para bloco cerâmico? Broca para concreto (widia) tem ponta de carboneto de tungstênio, dura o suficiente para cortar agregado. Broca para azulejo tem ponta em lança de metal duro e fura sem impacto. Broca para bloco cerâmico é similar à de concreto, mas com geometria que reduz o risco de estourar o bloco. Usar a errada danifica a parede e a broca.

Como saber se a parede é de concreto, tijolo furado ou drywall antes de furar? Bata na parede: concreto tem som maciço, tijolo furado tem som oco, drywall tem som oco e a superfície cede levemente. Use um detector de metais para localizar vergalhões e cabos. Observe a textura e a idade da construção: concreto é comum em prédios, tijolo em casas antigas.

Qual a profundidade exata para bucha S de 6mm, 8mm e 10mm? Para bucha S de 6mm (comprimento 30mm), fure 35-40mm. Para 8mm (comprimento 40mm), fure 45-50mm. Para 10mm (comprimento 50mm), fure 55-60mm. A profundidade extra permite a expansão da bucha sem pressionar o fundo.

O que fazer se o furo ficou grande demais ou estourou o reboco? Para furo grande, use bucha química (resina + catalisador) que preenche vazios e ancora o parafuso. Para lasca no reboco, aplique massa corrida acrílica e lixe. Em azulejos, trincas podem exigir substituição da peça. Sempre limpe o pó antes de reparar.

Perguntas frequentes

Respostas diretas com base nesta matéria.

Por que o revestimento estoura ao furar parede de concreto?

O estouro não é por acaso, mas sim pela vibração gerada pela broca, especialmente no modo impacto. Essa vibração se propaga pela superfície e, se o revestimento (reboco, azulejo, pintura) estiver mal aderido ou for frágil, abre microfissuras na borda do furo. Essas fissuras se encontram e formam uma lasca, causando o estrago.

Como a fita crepe ajuda a furar parede sem estourar o revestimento?

A fita crepe age de duas formas: primeiro, ela amortece levemente a vibração superficial. Segundo, se uma microfissura se formar, a fita segura o fragmento, impedindo que ele se solte como lasca. Porém, em azulejos vitrificados ou porcelanatos, a fita sozinha não basta — é preciso furar sem impacto nos primeiros milímetros e usar broca específica para cerâmica.

Qual broca usar para furar concreto sem danificar o acabamento?

A broca de widia (carboneto de tungstênio) é a única indicada para concreto armado, bloco cerâmico e tijolo maciço. Ela tem ponta de metal duro que corta o agregado do concreto sem perder o fio rapidamente. Evite brocas de aço rápido (HSS), pois elas perdem o fio em segundos, esquentam e transferem vibração para o revestimento, causando lascas.

Qual a broca certa para furar azulejo ou porcelanato sem trincar?

Para azulejo e porcelanato, use uma broca específica para cerâmica e vidro, com ponta em lança de metal duro. Ela fura por desgaste, não por impacto. A técnica é furar sem impacto, com rotação baixa (500-800 RPM) e pressão suave. Se atrás do azulejo houver concreto, troque para broca de widia e ligue o impacto depois de atravessar a cerâmica.

Como furar parede de concreto passo a passo sem estourar o reboco?

Primeiro, marque o ponto com lápis e aplique fita crepe esticada cobrindo pelo menos 5 cm ao redor do furo. Configure a furadeira com rotação entre 1000 e 1500 RPM para concreto e desligue o impacto nos primeiros 2-3 mm para atravessar o revestimento. Posicione a broca perpendicularmente, comece a furar sem impacto com pressão suave e, após atravessar o revestimento, ligue o impacto e aumente levemente a pressão. Mantenha a furadeira firme e não force.

O que fazer quando a broca encontra um vergalhão na parede?

Se a broca travar ao encontrar um vergalhão, pare imediatamente. Não force, pois você pode quebrar a broca ou danificar a furadeira. O ideal é mudar o ponto de furo alguns centímetros para o lado. Antes de furar, use um detector de metais para identificar vergalhões, tubulações elétricas e hidráulicas e evitar esse problema.

Como identificar o tipo de parede antes de furar: concreto, tijolo furado ou drywall?

Bata na parede com os nós dos dedos: concreto tem som maciço e surdo; tijolo furado tem som oco, como uma caixa vazia; drywall tem som oco e a superfície cede levemente sob pressão. Concreto celular (Siporex) tem som surdo, mas é mais poroso e frio ao toque. Use também um detector de metais para localizar cabos e tubulações.

Qual a profundidade correta do furo para cada tipo de bucha?

A profundidade do furo deve ser o comprimento da bucha mais 5 a 10 mm. Por exemplo, para bucha S de 6 mm (30 mm de comprimento), faça um furo de 35-40 mm. Para bucha S de 8 mm (40 mm), furo de 45-50 mm. Para bucha S de 10 mm (50 mm), furo de 55-60 mm. Marque a broca com fita crepe na profundidade desejada antes de furar.

Como limpar o furo antes de colocar a bucha?

Após furar, retire a broca com cuidado e remova todo o pó de dentro do furo. Use um aspirador de pó com bico fino ou um soprador de ar (como um canudo). Se o pó ficar, a bucha não vai expandir corretamente e o parafuso pode não prender. Depois de limpo, insira a bucha até o fundo — se não entrar completamente, use um pedaço de madeira entre o martelo e a bucha para distribuir o impacto.

O que fazer quando o furo já estourou o revestimento?

Se o furo estourou, não é preciso arrancar o azulejo ou rebocar tudo. Dependendo do tamanho da lasca, você pode preencher com massa para azulejo ou reparo próprio para cerâmica. Em casos maiores, use um kit de reparo para porcelanato ou azulejo. Para reboco, aplique massa acrílica ou gesso e lixe após secar. Se o estrago for grande, pode ser necessário substituir a peça.

Beto Almeida

Editor

Beto Almeida passou 15 anos atuando como zelador de um grande condomínio, resolvendo na prática de pias entupidas a paredes castigadas pelo mofo. Cansado de ver as pessoas gastando fortunas com soluções complexas, ele decidiu compartilhar seus truques e receitas caseiras. Sua missão é ajudar você a resolver os perrengues diários e cuidar da manutenção e limpeza da casa de forma simples, eficiente e econômica.

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